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O FILME CISNE NEGRO COMO CASO CLÍNICO. CONSIDERAÇÕES CONCEITUAIS SOBRE A OBRA DE WINNICOTT.

O filme Cisne Negro como caso clínico. Considerações conceituais sobre a obra de Winnicott.

Resumo: O filme Cisne Negro foi utilizado neste trabalho para um estudo tal como se fosse um caso clínico. Para este intento consideramos alguns conceitos para reflexões teóricas e clínicas, em especial da obra de Winnicott. Tomamos várias vertentes, dentro da abordagem de uma rede de tecido de fios entrecruzados distinguindo-se os principais: mãe suficientemente boa, mãe devotada comum ou ambiente facilitador; o papel do pai ou a ausência do pai; função especular e o conceito de identificação; clivagem; agressividade e fantasia; destrutividade-autodestrutividade. Algumas reflexões são efetuadas a partir da sequencia do filme, buscando aplicar estes dados a condições de adoecimento ligadas à automutilação, anorexia e dismorfia. Um ponto fundamental é a constatação do papel estruturante ou desestruturante que o objeto externo pode ter para o desenvolvimento psíquico do ser humano.

O filme Cisne Negro como caso clínico. Considerações conceituais sobre a obra de Winnicott.

Vera Marieta Fischer[1]

Cisne Negro- O filme

Cisne Negro, filmado sob a direção de Darren Aronofsky, recebeu vários prêmios entre os quais vencedor do prêmio melhor atriz no festival de cinema 2011, concedido a Nathalie Portman, interprete do papel principal.

A obra aborda a fragilidade da mente humana e a perturbadora ambição que move pessoas em torno de um sonho.

A trama é ambientada nos bastidores do New York City Ballet, e tem como pano de fundo o ballet “O lago dos Cisnes”, de Piotr Ilich Tchaikovsky em uma montagem do Lago dos Cisnes. Há um relançamento do clássico em nova versão, onde é aposentada a dançarina Beth e promovido um novo talento no seu lugar. Natalie Portman no papel de Nina se vê diante desta chance. Sua personagem, Nina, parece ter sido construída com cuidado, para expor de forma impactante uma moça amargurada, constantemente tensa, de expressão grave e poucos sorrisos, seriamente perturbada. Com doçura e delicadeza, Nina é a bailarina ideal para encarnar o Cisne Branco, mas é flagrada em sua obsessão pela perfeição pelo diretor da companhia que passa a provocá-la para que liberte a “Nina mulher”, com malícia e sedução. Nina vive exclusivamente para a dança, sempre limitada à superproteção da sua mãe. Pressionada por seu mentor, o professor e coreógrafo Thomas, Nina terá sua competência posta em xeque: sua fragilidade comprometeria a interpretação do papel que almeja, a Rainha dos Cisnes, visto que teria que interpretar simultâneamente o cisne branco (pureza e ingenuidade) e o cisne negro (metáfora para malícia, sensualidade, maldade). Ela sofre ao perceber que não consegue dar vida às duas facetas do Cisne, e trilha um caminho perigoso em busca da perfeição que o papel requer. Mergulhando na psique da personagem, cada vez mais dominada pela paranóia, e pela pura obsessão de conseguir o papel principal no espetáculo, o público é convidado a acompanhar a fascinante modificação de uma moça “frágil e doce”, em uma versão muito mais feroz de si mesma, se transformando em seu próprio alter-ego de certa forma uma bela metáfora de O lago dos Cisnes.

Há uma competição Nina-Lilly, como em Tchaikowsky, entre Odila e Odette, na disputa do amor do príncipe. No filme de Aronowsky, ambas almejam a conquista do lugar de “princesas”, junto ao seu mentor Thomas. Disputam o lugar de Cisne Negro.

O filme conta com padrões narrativos complexos, cujo ritmo é determinado pela constante mudança entre sonho e realidade, que tornam o filme uma experiência inebriante. É possível sentir na pele cada arranhão, cada sangramento, cada ferida a cicatrizar no corpo de Nina. À medida que sua persecutoriedade cresce, cresce o interesse do expectador pelo desfecho da trama. O autor convida o espectador a apreciar a loucura e a sensatez de sua protagonista. Cisne Negro é construído sobre a ambigüidade e reside aí o seu maior atrativo. Através de espelhos, Darren Aronofsky materializa ilusões que promovem medo e angústia a quem se propor imergir completamente em sua história. Alucinações, interpretações delirantes, crises de agressividade, surgem em substituição à submissão de uma filha com comportamento passivo e infantil. São cenas que se revelam brutais e de extremo impacto.

O Cisne Branco e o Cisne Negro mostram a divisão que vemos em Nina e em muitos de nossos pacientes. Eles trazem dentro de si um aspecto interditado, negado e portanto inacessível, aprisionado como um feitiço, que só encontra um caminho através de sonhos, fantasias, delírios e alucinações.

Exercício sobre o filme:

Trata-se de um exercício, como seria também a transcrição de um caso clínico ou de supervisão. Uma oportunidade de sonhar uma história com suas múltiplas vertentes.

Mãe suficientemente boa, Mãe devotada comum ou ambiente facilitador.

(Vínculos Mãe-filha, Odila-Odette, Nina-Lily)

Nina é uma jovem talentosa, profundamente dedicada à dança, sem amigas, sem contatos sociais. A mãe que a criou sem a colaboração do pai exerce sobre ela um poder autoritário, diante do qual Nina se submete. Sabe-se que a mãe engravida quando sua própria carreira como bailarina está em declínio. Infeliz, amargurada, decepcionada, resolve dedicar-se inteiramente a fazer com a filha, o que possivelmente desejava para ela própria: uma vida amorosa plena e de sucesso. Investe num cuidado intenso, moldando a filha, com gestos, atitudes, palavras. Menina meiga, boa menina, menina doce… Agora você vai ficar em casa, não vai sair… A amiga bate a porta, Nina não está… Vamos cortar as unhas. Está se arranhando de novo? Há um desejo da mãe que Nina se torne bailarina. Leva-a nas primeiras aulas e lá permanece assistindo a filha.

A mãe abdica de viver a própria vida com determinação, impedindo que Nina tenha vida própria, o que seria uma condição de poder desenvolver sua própria identidade. Ela vive dependente da mãe, imersa neste universo, onde o balé representa uma possibilidade de encontrar outra realidade. Contudo precisa ir ao encontro à mãe para obter algum afeto, segurança, conforto. Em uma relação mãe-bebê onde predomina o desejo da mãe sobre a filha bebê, o amadurecimento saudável fica impedido de acontecer. O que ocorre a Nina. Permanece me-nina.

A utilização do termo “suficientemente boa” diz respeito à adaptação da mãe às necessidades do bebê recém-nascido. No contexto da teoria de Winnicott do desenvolvimento emocional, é a adaptação da mãe às necessidades do bebê que o torna capaz de ter uma experiência de onipotência. Esta experiência cria a ilusão necessária para um desenvolvimento saudável. Assim uma mãe suficientemente boa, é uma mãe devotada comum, capaz de entrar em um estado de preocupação materna primária. Patrick Merot, citando Winnicott, comenta que a mãe é tão falha quanto normalmente dedicada, e com preocupação materna primária, destaca uma experiência de maternidade que deve ser menos idealizada do que compreendida como loucura passageira. (Merot, 2011,p.111)

A mãe não “suficientemente boa”, não pode proporcionar um ambiente que o bebê necessita para um desenvolvimento sadio, e isto pode ocorrer com uma mãe psicótica, uma mãe que não pode se entregara a preocupação materna primária ou a uma mãe atormentadora. A mãe atormentadora, que parece ser a condição de Érica, mãe de Nina, é aquela que tem, segundo Winnicott, os piores efeitos sobre a saúde mental do bebê, já que a natureza distorcida do ambiente viola o âmago do sentimento do self. Esta condição da mãe também impede que a criança cresça afastada de seu olhar, mesmo que de inicio tenha sido capaz de atendê-la em suas necessidades. Agora invade sua intimidade, escolhendo por ela, roupas para vestir e atividades.

As cenas aparentemente homossexuais do filme remetem muito mais a aspectos de necessidade de reconhecimento do próprio corpo. Há uma relação fusional da filha com a mãe, com poucas possibilidades de ocorrer uma separação posterior. Cada uma vive uma condição narcísica, auto centrada. É uma mãe que não pode acolher a filha, atender as necessidades da filha adolescente. A mãe está ligada à suas próprias necessidades. Como no conto da Branca de Neve, a rainha invejosa ataca a enteada (filha), fazendo-a depositária de seu ódio pela sua juventude perdida; (você vai conseguir, eu tive que desistir da carreira da dança por você ter nascido). Revela que não abre mão de seu reinado, e controla a filha. (não permite que ela saia de casa, não a chama para a apresentação ou para o ensaio).

André Green, em Conferências Brasileiras, pontua que a vida psíquica começa com o amor, o ódio e o conhecimento. Sendo assim, a relação dual em questão vai depender certamente de alguma coisa que vem do bebê e vai depender enormemente do que vem da mãe. Particularmente da relação fusional entre a mãe e o bebê e da separação entre a mãe e sua própria mãe. (Green, 1990, p.173).

A ausência da figura paterna torna mais difícil para Nina, se reconhecer separada e ter desejos próprios. Chora, mas não se defende. Não questiona, obedece a Thomas. O desejo da mãe é também o desejo dela. Ser a bailarina (rainha) que recebe o papel.

A problemática básica de Nina é o vínculo com sua mãe. Nina culpa a mãe por não conseguir se tornar independente. Permite que ela a trate como bebê. A culpa pelos ataques que faz à mãe real ou fantasiada não permite que alcance a independência. Odeia a mãe por haver colocado dentro da mãe tudo de destrutivo dela própria; e também pela mãe se colocar como esta tela de projeção. Fica ainda mais submissa à sua parte destrutiva. Há um clima enlouquecido de semi-consciência onde ela se exibe à mãe, em transas sexuais, e tem uma relação com mulher, (Lily diante da mãe). No sexo oral, confunde o olhar perverso de Lily como sendo também da mãe que não quer que ela seja rainha cisne. A mãe se sentiria invejosa. “Eu sou a rainha que você não conseguiu ser”. A imagem que Nina faz da mãe é de que ela impede o seu sucesso. Nina construiu esta imagem, que percebe alucinatóriamente como sendo da mãe. O que ela projetou na mãe, continua nela. Assim ela precisou se matar para eliminar a sua parte cisne negro, (agressiva e destrutiva). Parte que é culpada por ataques reais ou imaginários à mãe e à relação dos pais. Devido ao seu perfeccionismo, não podia ter nenhuma mancha ou culpa passada. Não poderia ter nenhuma pena negra ou não mereceria perdão e sim a morte. A perfeição estabelece uma exigência de que ela seja só cisne branco e não possa ter fantasias más, só de pureza. Perfeição. A idealização máxima: fui perfeita, o que diz na hora da morte. Para isto teve que matar o cisne negro. Não ter consciência destas suas necessidades, leva-a a agir. Vai para a ação, não podendo fazer uso do pensamento.

Papel do pai, ou ausência do pai.

Quando a tarefa de separação mãe-bebê cabe à mãe, que se volta para o pai, introduzindo-o na relação, há uma harmonia no desenvolvimento. Quando a mãe, tal como a criança a construiu, mantém um relacionamento fusional com sua filha, não há lugar para um terceiro. Há fracasso no desenvolvimento. A sobrevivência psíquica depende da possibilidade de separar-se do materno, sem contudo apagá-lo. A mãe de Nina mantém com ela esta forma de vínculo primitivo, o que demonstra várias vezes, invadindo sua privacidade, não levando em consideração suas dificuldades, sintomas, ansiedades, tristezas. Nina também vive este aspecto fusional, caracterizado pela aceitação e submissão a ser “a menina meiga da mãe,” a que acaba comendo o bolo, nem que seja somente um pouquinho… Há desejos de assim se manter e movimentos de separabilidade não bem sucedidos, recheados de sofrimentos e cortes.

Winnicott disse que um bebê sozinho não existe. É preciso considerá-lo juntamente com sua mãe. Quanto a mim eu digo a Winnicott: um bebê e sua mãe, isso não existe; há sempre um pai, em algum lugar, para fazer uma criança, é sabido que o pai e a mãe têm que fazê-lo juntos. Penso, igualmente, que em vez de nos prendermos exclusivamente à relação mãe-filho, ficaríamos muito melhor em nos interessarmos por aquilo que se passa entre o pai e a mãe. (Green, 1990, p.180).

Função especular e o conceito de identificação

O que o bebê vê ao olhar para o rosto da mãe? Sugiro que, normalmente, o que o bebê vê é a ele mesmo. Em outras palavras, a mãe está olhando para o bebê e aquilo com o que ela se parece se acha relacionado com o que ela vê ali. Tudo isso é facilmente aceito. Peço que isso naturalmente tão bem realizado por mães que estão cuidando de seus bebês, não seja considerado tão evidente assim. Posso demonstrar minha proposição referindo o caso de um bebê cuja mãe reflete o próprio humor dela ou, pior ainda, a rigidez de suas próprias defesas. Em tal caso, o que o bebê vê?… Primeiramente sua capacidade criativa começa a atrofiar, e de um modo ou de outro procura por outras formas de retorno do ambiente… Neste momento o rosto da mãe não se apresenta como um espelho. A percepção toma lugar da apercepção. A percepção ocupa o lugar daquilo que deve ser o princípio de uma importante troca com o mundo, um processo de mão-dupla em que o auto-enriquecimento alterna-se com a descoberta de um significado para o mundo ao ver as coisas. (Winnicott,1971, p.154)

Apercepção é o termo empregado por Winnicott para nomear a experiência subjetiva do bebê de estar fundido à mãe e envolve a relação com objetos subjetivos. Como consequência, por apercepção entende-se ver a si próprio ao ser visto pela mãe. A percepção se desenvolve a partir da apercepção, e refere-se à capacidade de ver o conjunto dos objetos, o que é também a capacidade de diferenciar o eu do não-eu. (Abram, 1966, p.159).

Assim quando o bebê não se vê no olhar da mãe, mas vê a mãe, ele se torna precocemente dependente da percepção do olhar da mãe. Isto significa que nesta situação a realidade intervém demasiado precocemente, o bebê não podendo construir seu “objeto subjetivo” tornando-se dependente do objeto objetivamente percebido.

Nina examina o rosto da mãe, que aparece também no mostrador do celular, configurado em letras maiúsculas pela palavra MOM-mãe no visor. Tem que ficar prevendo e adivinhando a reação da mãe, seu estado de humor, não pode relaxar; tem que estar atenta. Suas necessidades pessoais têm que ser dominadas, contidas…

“se o rosto da mãe não reage, então o espelho constitui algo a ser olhado, não a ser examinado.” (Winnicott, 1971, p.155).

Winnicott ressalta que quando o gesto do bebê não se faz real pela resposta da mãe a ele, haverá impossibilidade de simbolizar. Precisa haver adaptação às necessidades do bebê, para que ele venha a fazer uso de símbolos.

Quando Nina não encontra na mãe, e também no ambiente que a cerca condições de suprir suas necessidades quanto à adaptação, ela regride emocionalmente e se desorganiza.

Para que um bebê se perceba separado da sua mãe, é necessário que ele viva a experiência de ter sido um só com ela. Para viver a desilusão é preciso ter vivido a ilusão. Mãe e filha que adoecem em seu vínculo, passam a viver emoções e afetos sempre a beira de irrupções desenfreadas, como um corpo ferido, prestes a sangrar a qualquer toque mais brusco. Quando as mães sofrem um processo depressivo ou psicótico, o bebê se vê separado precocemente da mãe, desamparado, e forma uma imagem dela morta em seu psiquismo. (Green, 1988, p.247).Para que viva a ilusão de que ele cria a mãe (onipotência), é necessário que ela esteja lá, e acessível. A ilusão de onipotência favorece que possa conviver com a sua perda que se transforma então, e só então em potência.

Quando o olhar e a função especular da mãe não se estabelecem nos primeiros meses de vida de um bebê, ele não se reconhece, e isto impede a formação de uma identidade própria e facilita o desenvolvimento de um falso self, por vezes patológico.

Quando a vida psíquica fica congelada nos seus primórdios, a comunicação que é possível é aquela mais próxima da concretude da experiência, repetindo no corpo as mensagens emocionais por vias estereotipadas de comunicação e sobretudo por vias de atos em detrimento do pensar criativo e ponderado. Repetem padrões de comportamento de alta dependência uma da outra (mãe e filha). Não conseguem uma separação e individuação. O corpo e os alimentos se tornam co-protagonistas de suas histórias. Nina não aceita o bolo que sua mãe prepara especialmente para ela. Não pode engolir. Assim Nina e sua mãe vivem o desejo desta fusão e paradoxalmente o desejo de separabilidade. Isto é representado pelos cortes e pelos vômitos. O cortar e o sangrar podem representar o desejo de se separar, expulsar a mãe enclausurada nela, o objeto intrusivo que a tiraniza e destrói. Elimina a Nina sufocada na infância. Acaba o feitiço. Esta condição aparece muitas vezes na clínica, em casos de anorexia, bulimia e dissociações das personalidades múltiplas.

Nina permanece numa condição pré-edípica, pré-genital. O pai-professor-Thomas sugere que ela se masturbe, que ela treine para seduzi-lo. Ela obedece, e em casa diante da mãe se masturba; tem na fantasia, uma relação sexual com o pai professor diante da mãe. Sobrevêm mais culpas. Nina se culpa por desejar tomar o lugar da mãe, o lugar de Beth junto ao seu Siegfried-Thomas-Professor, ser sua princesa. Por este desejo de eliminar a mãe e Beth, ela tem que morrer. Ser a Rainha Cisne é tomar o lugar da mãe. Ao saber da notícia da escolha dela para o papel, fica numa angústia enorme, vomita; a culpa a torna autodestrutiva.

Os dados não são da realidade atual. Referem-se ao passado. Ela é uma criança, quarto com papel de paredes de borboletas, bichos de pelúcia, voz infantil, caixinha de música. Masturbação, e cortes de dedos e unhas. Não há sexualidade adulta. Sente não só dor pelo atropelamento de Beth a quem admira como também culpa pelos ataques que imagina ter feito a mãe no inicio da vida, agora revividos. Por amar a mãe e Beth seu sofrimento aumenta.

Quando no bar um jovem pergunta a Nina quem é você? Ela responde: uma dançarina; e ele: Não; queria saber teu nome… (a identidade dela é o que ela faz, não o que é); também não escuta quando o rapaz diz que ela é bonita. (ela não existe como pessoa). Parece não saber de quem ele está falando.

O verdadeiro e o falso self.

Se os gestos espontâneos do bebê, verdadeiro self em ação, tiverem uma resposta positiva, irão encorajar o bebê a desenvolver um sentimento de self.

Nina, se desenvolve a partir de um falso self, tendo que reagir às intrusões do ambiente. Desta forma ela vai fazendo o que “deve ser feito”, as técnicas da dança, a obediência à mãe, mas isto não representa vida e o viver. É a provisão ambiental que torna todo o resto possível.

Winnicott, falando das origens mais remotas do self, escreveu:

A mãe suficientemente boa alimenta a onipotência do lactente e até certo ponto vê sentido nisso. E o faz repetidamente. Um self verdadeiro começa a ter vida, através da força dada ao ego fraco do lactente pela complementação pela mãe das expressões de onipotência do lactente. E sobre o falso self: A mãe que não é suficientemente boa não é capaz de complementar a onipotência do lactente, e assim falha repetidamente, em satisfazer o gesto do lactente; ao invés, ela o substitui por seu próprio gesto, que deve ser validado pela sua submissão. Esta submissão por parte do lactente é o estágio inicial do falso self e resulta na inabilidade da mãe em sentir as necessidades do lactente… e acrescenta que quando a adaptação da mãe não é suficientemente boa no inicio, pode-se esperar que o lactente morra fisicamente, porque o investimento dos objetos externos não é iniciado. Porém na prática, o lactente sobrevive falsamente. Através deste falso self, o lactente constrói um conjunto de relacionamentos falsos, e por meio de introjeções pode chegar a ter até uma aparência de ser real, de modo que a criança pode crescer tornando-se como a mãe, babá, tia, irmã ou quem quer que, no momento, domine o cenário. (Winnicott, 1979, p.133)

Nina deseja realizar o sonho da mãe, ser a bailarina, a rainha. Fica presa ao desejo do outro.

Para Winnicott o falso self é sempre o resultado de uma defesa, uma dissociação, que tem como objetivo ocultar o verdadeiro self, para evitar o seu aniquilamento. A imitação torna-se sua principal especialidade e pode ser base de um tipo de sublimação, quando a criança cresce para se tornar um ator. Com relação a atores, há aqueles que podem ser eles mesmos e representar, enquanto que há outros, condição de Nina, que ficam completamente perdidos, quando não exercem um papel. Neste seu desenvolvimento na base da imitação, ela tenta ser o objeto. Ficou no seu desenvolvimento impedida de utilizar-se de mecanismos de introjeção e identificação. A permanência de Nina num estado de dependência da mãe a impede de reagir diante das atitudes inadequadas dela (mãe). Passa a viver através de reações; vive reagindo a alguma coisa externa, ao invés de poder ser fundamentalmente ela mesma. Nina depende do Coreógrafo-professor-Thomas, procurando executar suas ordens, não questionando, aparentemente.

O falso self oculta a realidade interna do lactente, o que torna aparente uma condição enganosa. Há uma hipertrofia dos aspectos intelectuais, das habilidades, em detrimento do que é mais genuinamente humano, instintivo e vital. Pelas suas habilidades Nina é levada a ser considerada a rainha dos Cisnes. O self verdadeiro fica oculto, e deve ficar protegido, isolado. Quanto mais bem sucedida na conquista de seu ideal, mais se sente falsa e destrutiva. Na base do falso self está a dificuldade do uso da oni-potência infantil, da qual deriva a ilusão, a imaginação e o brincar, isto é a capacidade de usar símbolos. Tem pobreza de vida cultural. Ao invés de objetivos culturais, observa-se, extrema inquietação, com incapacidade de se concentrar, e com necessidade de colecionar ilusões da realidade externa, de modo que a vida toda do individuo pode ficar cheia de reações a estas ilusões. Mistura realidade com fantasia. Há colegas desejando sabotar sua apresentação. Fantasias persecutórias misturadas com situações de realidade.

Nina se mantém infantil, apegada aos objetos de criança, brinquedos de pelúcia e desconectada da vida social e das transformações de seu corpo adolescente.

Quando o falso self começa a falhar como instrumento resguardador da personalidade, podemos nos deparar com manifestações suicidas. Suicídio neste contexto é a destruição do self total para evitar o aniquilamento do self verdadeiro. (imersão demorada na banheira) Quando o suicídio é a única defesa que resta contra a traição ao self verdadeiro, então se torna tarefa do falso self organizar o suicídio.

A ambição desmedida, ser a rainha dos Cisnes, leva Nina gradativamente a uma profunda desorganização, a uma desintegração de sua frágil estrutura egóica.

Quando ocorre dano ao verdadeiro self ele se manifesta no indivíduo através de uma tonalidade depressiva, seguida de evolução para uma culpa de tonalidade persecutória. Estas lesões no verdadeiro self se manifestam na incapacidade de um existir verdadeiro, espontâneo, livre e criativo.

Quando Nina ouve de Thomas Leroy, coreógrafo de que ela não coloca sentimento em sua dança, que ela não se envolve, que ela possui boa técnica, porém distanciada das emoções, fica surpresa e inconformada. É estimulada para que use sua sensualidade, sua feminilidade. Sua hostilidade até então dirigida a si própria, emerge nos relacionamentos. Sobrevém intensa desconfiança, ciúmes, invejas, ódios, ataques dirigidos para fora, o que antes permanecia enganosamente encoberto. Irrompe um surto psicótico com desorganização da personalidade que até então sobrevivia dividida, clivada.

Clivagem.

Para estabelecer uma relação onde o amadurecimento aconteça apropriadamente, a mãe deve proporcionar ao bebê, gradativamente a possibilidade dele ir se adaptando as suas falhas. Quando a mãe é portadora de umaincapacidade crescente de fracassar em adaptar-se as necessidades do bebê, ele precisa então desenvolver sua própria compreensão do que está ocorrendo. Se tomarmos o caso de um bebê, nos assinala Winnicott, cujo fracasso da mãe em adaptar-se é rápido demais, podemos descobrir que ele sobrevive por meio da mente. A mãe explora a capacidade do bebê de pensar, confrontar e compreender. Se o bebê possuir um bom aparelho mental, o pensamento transforma-se em um substituto dos cuidados maternos e da adaptação. O bebê ‘materna a si mesmo’ através da compreensão, de muita compreensão… (há uma hipertrofia da mente).

Isso resulta em uma inteligência desajustada, para aqueles cujo pensamento foi explorado. Inteligência que esconde atrás de si um grau de privação. Em outras palavras, para aqueles que tiveram seu pensamento explorado, sempre existe ameaça de um colapso da inteligência e da compreensão, do caos mental, ou ainda de desintegração da personalidade. (Winnicott, 1989, p.122).

Como resultado mais comum de um grau pequeno de cuidado materno torturante nos estádios iniciais da vida infantil, o funcionamento mental torna-se uma coisa em si, praticamente substituindo a mãe boa e tornando-a desnecessária. Clinicamente, isso pode acompanhar uma dependência da mãe real e um crescimento pessoal falso com base na submissão. Esse é um estado de coisas extremamente desconfortável, especialmente porque a psique do indivíduo se deixa ‘atrair’ por essa mente, afastando-se do relacionamento íntimo que originalmente mantinha com o soma. O resultado é uma mente-psique, que é patológica. (Winnicott, 1958, p.336)

Assim a aparência é enganosa. Nina, vista de fora, é bailarina de sucesso, execução em alto nível, contudo sente-se uma impostora pela prosperidade obtida. Rouba os objetos da bailarina Beth. Vive o roubo do lugar de Beth na companhia; o roubo do lugar do pai junto à mãe; rouba o sonho da mãe de ser a Rainha Cisne. Não parece se sentir merecedora da indicação para representar o Cisne Negro. O roubo também denuncia o fato da sua privação afetiva. Neste paradoxo Nina se debate. Ela merece a indicação, mas também não merece. A aflição de viver esta impostura a destrói. Se vê quebrada, múltiplas fraturas.

A clínica freudiana enfoca com relevância a questão do recalque ou repressão secundária, enquanto Winnicott enfatiza sobre a questão da cisão; nada, entretanto tão freudiano como o conceito de cisão (spaltung).

Agressividade e fantasia

Nina desenvolve sintomas auto-agressivos, através de um coçar constante em algumas regiões do corpo, que provocam escoriações na pele e sangramento. Precisa ver o sangue brotar da lesão. A mãe mantém as unhas de Nina bem aparadas, e é esta a única medida que ela toma diante deste acontecimento.

Ela provoca em si própria uma dor física, algo incomparavelmente menor do que as agonias inimagináveis da morte psíquica e dor mental que vem padecendo ao longo de sua vida.

Com a falta de um “envelope psíquico”, (Bick, E. 1968 e Anzieu, D. 1985) de uma condição de ser contida, (holding), Nina tenta com este gesto desesperado comunicar o que se passa no seu mundo interno para que possa ser ouvida e atendida. Não há olhar para ela como pessoa inteira, separada. O que é visto é o desejo pela bailarina perfeita. Nina não conta com um espaço potencial, um lugar para receber os estados não integrados, e poder voltar e se desenvolver em seguida. Um lugar de repouso e amorfia. Como Nina não confia que possua condições de conviver no ambiente que a cerca, permanece continuamente em estado de alerta. Seu desespero não encontra continência. Projeta-o no mundo externo. Alucina.

Supomos que Nina foi uma criança que sofreu abuso, violação, e herda a culpa e a responsabilidade de adultos que não foram capazes de assumi-las. Convive com dificuldades de discriminar quem é ela, quem é o outro, mundo adulto e mundo infantil, “eu e não-eu”.

Os impulsos que levam um bebê a excitação provêm de duas fontes, da instintualidade e da motilidade. Na saúde eles se juntam de maneira a se integrarem.

Na sua origem, agressividade é quase sinônimo de motilidade. É como Winnicott a considera, e acrescenta que toda vez que um comportamento tem um propósito, há intenção de agressão. A agressão faz parte da expressão primitiva do amor. Ele valorizou a tendência natural ao movimento dos seres vivos como a raiz básica para a futura agressividade. Postulou que a oposição ao movimento natural de uma criança por parte do ambiente tende a acentuar a resposta agressiva por parte do bebê. Há uma gradação desde uma oposição tão ferrenha que não dá oportunidade à criança de ter sequer a possibilidade de existir, até uma posição adequada, que dá ao ser a possibilidade de recebê-la como um limite adequado e mesmo protetor. Assim um excesso de oposição inibe o impulso e impede que a motilidade se fusione a experiência instintual. O sentido de real origina-se especialmente das raízes motoras e sensoriais correspondentes. Quando nas experiências instintuais, há uma fraca infusão do elemento motor, estas não fortalecem o sentido de realidade ou de existir. Numa condição intermediária o ser passa a existir apenas através de reações à oposição que lhe está sendo feita. Quando o movimento parte do bebê, o contato com o meio ambiente é uma experiência do individuo. Mas se é o ambiente que toma a iniciativa e isto se dá repetitivamente, ao invés de uma serie de experiências individuais, ocorre uma serie de reações a invasões.

Nina encontra na mãe, oposição a seus movimentos naturais, que os substitui por movimentos dela, (mãe). A sua motilidade é experimentada como uma reação à invasão, e não uma atividade motora espontânea.

Winnicott refere que subjacente à atividade destrutiva, ao sofrimento sob autocontrole, a força inerente aos seres humanos, está a destruição mágica. Isso é normal para a criança nas primeiras fases do seu desenvolvimento e caminha lado a lado com a criação mágica. A destruição primitiva e mágica de todos os objetos está ligada ao fato de que para a criança o objeto deixa de ser parte de ‘eu’ para ser ‘não eu’, deixa de ser fenômeno subjetivo para ser percebido objetivamente. Geralmente esta mudança ocorre por gradações sutis, mas havendo uma participação deficiente da mãe estas mudanças ocorrem bruscamente e de uma maneira imprevisível para a criança.

Ao acompanhar a criança com sensibilidade, nesta fase vital de seu desenvolvimento, a mãe estará dando tempo ao filho para adquirir todas as formas de lidar com o choque de reconhecer a existência de um mundo situado fora do seu controle mágico.

Quando os processos de maturação vão ocorrendo no devido tempo, a criança se tornará capaz de usar a agressividade, isto é, ser destrutiva e odiar, agredir, gritar, em vez de aniquilar magicamente o mundo.

É nos estágios posteriores do amadurecimento que o amor e agressividade se apresentam fundidos. É uma forma de a agressividade ficar controlada e subordinada ao amor. Assim a agressividade e o amor convivem, e depende do desenvolvimento da criança a capacidade de fazer reparações, ou no dizer de Winnicott, “remendos”. Esta capacidade de usar de sua impulsividade depende de poder contar com uma mãe que sustenta a situação no tempo e sobrevive, o que significa não retaliar, não mudar de atitude, não recuar sentindo-se pessoalmente ofendida pelo que seria um canibalismo do bebê, não adotar uma atitude moralista, visando treiná-lo ou educá-lo. Sobreviver não é ficar indiferente ou permissiva. Significa que ela suporta ser odiada. Se o bebê passa por esta situação de machucar-e-remendar várias vezes (circulo benigno) passa a acreditar na sua capacidade de reparação, suporta melhor as culpas, e torna-se mais livre para o amor instintual. (Winnicott, 1987, p. 27).

O não uso da agressividade torna o indivíduo incapaz de ser criativo, usar sua espontaneidade e ser reconhecido. O cisne branco, amoroso, puro e ingênuo, o ideal, que ela sempre exercitou, é guiado pelo modelo imposto de fora, pelo gesto materno. O cisne negro, simbólico da violência, malícia, sensualidade e destrutividade são negados e transformados em autodestrutividade. A autodestrutividade, arranhar a pele, se machucar, representa ainda uma esperança de ser atendida em suas necessidades. Um pedido de socorro. Quando sangra se sente viva.

Destrutividade-Autodestrutividade

Para o professor-Thomas-Robarth, a perfeição seria morder os lábios no beijo, triunfar sem escrúpulos, usar as pessoas, soltar-se, soltar os instintos sexuais ou incestuosos, liberar a destrutividade, identificada com o cisne negro e com a morte. O pai desaparece da sua vida e ela vai buscá-lo e criá-lo sob a forma de Thomas. Alguém inadequado e hostil, mas ela aceita ser seduzida por ele, luta para tê-lo. Ele é uma pessoa inadequada que quer que ela se masturbe pensando nele, que tenha com ele uma relação que ele teve com outras de suas alunas-bailarinas. Ela coloca nele, professor, seus desejos perfeccionistas e sua culpa. É ele que quer a perfeição e é ele que usa da violência e quer seduzi-la. Assim ela não precisa confrontar-se com a culpabilidade de realizar tais desejos. Ela projeta no professor, e encontra nele a tela apropriada para este feito.

O professor, após o atropelamento de Beth, chama Nina de frígida, de “cadáver”, de que ninguém gostaria de se relacionar sexualmente com ela. Sugere que deve seduzi-lo, só então terá vida. Contudo ao fazê-lo fica no lugar da mãe, no lugar de Beth, e então tem que se matar. Tem que se tornar “cadáver” para apagar a culpa insuportável de tomar o lugar da mãe e na sua fantasia, eliminá-la. Seduzir o professor, ser sua rainha, se igualará a matar a mãe, portanto tem que morrer. Vislumbramos nesta situação um Édipo com características primitivas. É quando a tragédia domina a cena.

Sua intensa destrutividade a impede de enfrentar os danos feitos às suas imagens internas e tentar alguns movimentos de reparação. Ataca o mundo ao seu redor, percebendo Lily, Beth e a mãe como figuras altamente persecutórias a partir das quais ela não encontra escape, ou solução. Não há esperança (hope). Não pode ver no mundo bondade, perdão. Pode se perceber somente como cisne branco. Uma pena negra e suas pernas não a sustentam mais, quebram. Falta “Holding”, ela cai. Percebem-se nela ansiedades impensáveis, como: cair aos pedaços, incomunicabilidade, dissociação psique-soma e cisão no tempo-espaço. Advém daí o colapso.

Na cena final, Nina se vê cuidada pela mãe, que a impede de ir ao balé para a apresentação de estréia. Nina reage então magicamente: é a mãe que a impede de ser a Rainha Cisne. Revida colocando na mãe a impossibilidade dela: “você não vai me impedir de ser o que você não conseguiu ser, a rainha cisne”.

Nina tem um pai e uma mãe construídos em seu interior onde predomina violência e destrutividade. Se houvesse predominância do amor, a culpa seria menor, bem como os sentimentos de persecutoriedade, e então poderia surgir um desenvolvimento mais harmonioso.

Muitas pacientes anoréxicas, bulímicas e com transtornos dissociativos, se identificaram com Nina ao assistirem o filme. Há na anorexia e bulimia este caráter de dismorfia, além de dificuldades com a figura materna. Winnicott nos alerta para a necessidade da mãe de se adaptar às necessidades de cada bebê, uma vez que não existem dois bebês iguais ou mães iguais e cada mãe é diferente com cada criança. Para que uma mãe seja “maternal”, deve haver um grau elevado de identificação com seu bebê, embora ela mantenha seu status adulto. Na anorexia e bulimia, a mãe tem reações inapropriadas para com a solicitação do bebê. A mãe alimenta o bebê segundo suas próprias necessidades e não as do bebê e por isso a criança não aprende a controlar suas próprias funções corporais. Geralmente as mães são mulheres bem dotadas e frustradas, com potencial de realização, sacrificadas pelo bem da família. Confinada a casa, a mãe se recusa a permitir que a filha se afaste dela. Isso contribui para a indiferenciação da filha. Há um paradoxo. Uma mãe duplamente ligada, ultra solícita mas rejeitadora; que abdica de sua ambição, de seu desejo de realização, mas quer que a filha fique em casa, para sempre; que ama verdadeiramente mas odeia-a, como alguém separado dela; que lhe dá vida mas a força a morte. Incentiva-a para que coma e a leva a esfamiar-se. Assim o vínculo simbiótico mãe filha se faz com nutrição imprópria, levando a filha a penetrar num reino alheio ao pessoal e ao natural e a consumir o alimento da morte.

No final, fica evidente o que é dito por Thomas: “Nina, a única pessoa no seu caminho é você.” Percebe-se a impossibilidade de Nina lidar com suas questões internas. Permanece invadida por extrema exigência, ódios, ambição e destrutividade.

Referências Bibliográficas:

Abram, J. (1966). A linguagem de Winnicott. Rio de Janeiro: Imago

Green, A. (1988). Narcisismo de Vida Narcisismo de Morte. São Paulo: Escuta

Green, A. (1990). Conferências Brasileiras. Rio de Janeiro: Imago

Merot, P. (2010). Bulletin de La Societé Psycanalytique de Paris Nov/Dec, trimestriel, 98.

Winnicott, D. W. (1958) Da Pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago

Winnicott, D. W. (1971) O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago

Winnicott, D. W. (1979) O Ambiente e os Processos de Maturação. Porto Alegre: Artes Médicas

Winnicott, D. W. (1987) Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes

Winnicott, D. W. (1989) Explorações Psicanalíticas. Porto Alegre: Artes Médicas

[1] Membro da FEBRAPSI da SBPRJ e do NPC. Trabalho apresentado no VI Encontro Brasileiro sobre o pensamento de D. W. Winnicott- 25 de setembro de 2011-Curitiba